Hospital do Sangue promove primeira cerimônia do Sino da Cura e celebre vitória de pacientes contra a leucemia
Três pacientes celebraram a vitória contra a leucemia e tocaram o sino da cura

Em um ato marcado por forte emoção e renovação da esperança, o Hospital do Sangue Idenir Araújo Rodrigues (HS) realizou, na manhã desta quarta-feira (27/05), a sua primeira solenidade do Sino da Cura. O evento celebrou a vitória de três jovens pacientes assistidas pela rede pública de saúde do Amazonas contra a leucemia, simbolizando o fortalecimento da assistência de alta complexidade no estado.
A cerimônia contou com a presença da primeira-dama do Estado, Thaisa Cidade; da diretora-presidente da instituição, Socorro Sampaio; e da secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, além do corpo clínico e de familiares.
O encontro homenageou Suzy Anne Coelho Correa (19 anos) e Andria da Silva Belém (24 anos) que receberam alta definitiva após dez anos de acompanhamento, além da Ana Grazielly Oliveira França (12 anos): que celebrou a conclusão da fase mais agressiva do tratamento (quimioterapia).
A primeira-dama Thaisa Cidade esteve no evento e destacou o impacto social e emocional do momento. “Hoje elas estão celebrando a cura, celebrando a vida, celebrando a vitória de um longo processo, mas que conseguiram superar. Tenho certeza de que foram vários momentos difíceis, mas hoje chegou o momento de comemorar a vida, e eu estou muito feliz e honrada de estar aqui presente. Deixo a elas o meu abraço e um abraço carinhoso do governador Roberto Cidade, que é sensível à causa da saúde e está sempre preocupado em melhorar o atendimento no nosso Estado”, disse.


Para a diretora-presidente do Hemoam, Socorro Sampaio, o badalar do sino consolida a transição e a modernização dos serviços que históricamente pertenciam à Fundação Hemoam.
“Esse ato renova uma tradição que simboliza a vida e representa um trabalho técnico baseado na humanização. O que foi iniciado lá na antiga estrutura da Fundação Hemoam hoje se fortalece aqui nas novas e modernas instalações do Hospital do Sangue”, destacou a diretora.
A secretária de Saúde, Nayara Maksoud, reforçou o compromisso do Governo do Amazonas com o acolhimento na rede pública. “A Secretaria de Estado de Saúde faz questão de estar presente em momentos como este, que reforçam o compromisso com um atendimento mais humano e acolhedor. Cada toque do sino representa a força dos pacientes, o apoio das famílias e o trabalho de excelência das nossas equipes de saúde”.
Histórias de Superação que Inspiram o Futuro
O tratamento da leucemia é uma jornada de longa permanência e persistência. Os casos celebrados nesta quarta-feira mostram o impacto do suporte multiprofissional na vida das pacientes
Foram 13 anos de luta para Suzy Anne, diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda (LLA) aos 6 anos de idade. Hoje, curada e mãe de uma bebê de um ano, ela planeja o futuro. “O que me dava forças era minha mãe orando todas as noites. Agora, sei que posso lutar pela minha filha e pelos meus sonhos”, comemorou.
Da cura para a Biomedicina: Andria da Silva tratava uma Leucemia Mieloide Aguda (LMA) desde 2014, quando tinha 11 anos. O acolhimento recebido na instituição definiu sua escolha profissional. “O apoio integrado — alimentação, medicação, suporte psicológico — causou um impacto positivo. Hoje, essa vivência me inspira a estudar biomedicina”, revelou.

Diagnóstico Precoce e Chance de Cura de até 90%
A leucemia atinge os leucócitos (células de defesa) e é uma das principais causas de óbito infanto-juvenil no país. Contudo, a detecção rápida é a chave para mudar essa estatística. Os sintomas de alerta incluem febre, anemia, manchas roxas na pele, infecções recorrentes e aumento de gânglios.
“Trabalhamos intensamente por cada vida. Mesmo que haja somente 1% de chance, dedicaremos 100% do nosso esmero e técnica na assistência”, pontuou a hematologista e pediatra do HS, Suênia Araújo, lembrando que o diagnóstico precoce eleva as chances de cura para cerca de 90% em crianças.
Próxima etapa: O período de remissão
Para a adolescente Ana Grazielly (12 anos), o toque do sino marcou o fim dos ciclos de quimioterapia comandados pela médica Paula Marinho. Agora, ela entra na fase de remissão, onde o organismo elimina gradualmente os efeitos colaterais da quimio. O monitoramento continua de forma ambulatorial para acompanhar a evolução clínica até a alta definitiva.
Tradição Global
A cultura do Sino da Cura nasceu nos Estados Unidos na década de 1990, quando um ex-almirante da Marinha americana doou um sino de bronze a um hospital oncológico no Texas para celebrar sua última sessão de quimioterapia. O gesto tornou-se um símbolo mundial de superação e humanização hospitalar, hoje integrado à rotina de assistência do Hospital do Sangue no Amazonas.