Dia dos Pais: Trajetória de pai e filho emociona com conquistas alcançadas no Juventude TEA
Após anos de desafios, família encontrou na unidade da rede estadual apoio, acolhimento e novas conquistas do filho atípico

“Ele é o meu melhor amigo.” A frase de Flávio da Silva, de 49 anos é simples, mas carrega o peso de uma história construída com amor, renúncia, aprendizado e esperança. Neste Dia dos Pais, comemorado neste domingo (09/08), a relação entre ele e o filho, Adalberto da Silva, de 13 anos, emociona por mostrar que a paternidade, muitas vezes, é também um exercício diário de resiliência.
Adalberto faz acompanhamento no Juventude TEA há mais de três meses. Adolescente autista, não verbal, ele começou a apresentar sinais ainda aos dois anos de idade. No início, o que parecia apenas um comportamento mais reservado passou a preocupar a família quando ele deixou de brincar com outras crianças e preferia ficar isolado.
“Minha esposa começou a perceber as diferenças primeiro. Ela passava o dia com ele, pesquisando, tentando entender o que estava acontecendo. Quando veio o diagnóstico, foi um baque muito grande para nós”, lembra Flávio. “Eu trabalhava muito e via o sofrimento dela quando chegava em casa. A gente entendeu que precisava mudar nossa vida para cuidar do nosso filho”, relembra.

A mudança foi literal. A família deixou o apartamento onde morava e buscou um espaço maior, onde Adalberto pudesse ter mais liberdade e estímulos. No quintal, uma pequena piscina e um cantinho preparado especialmente para as atividades do adolescente passaram a fazer parte da rotina da casa.
Mesmo diante das dificuldades, Flávio nunca enxergou o filho como um limite. “Cada dia que passa ele me proporciona mais orgulho de ser pai. Os momentos que a gente vive junto são os momentos mais marcantes da minha vida”, declara.
O encontro com o Juventude TEA

Foi a esposa quem encontrou a vaga para o atendimento no Juventude TEA. A notícia trouxe esperança para a família, que já havia passado por outros acompanhamentos terapêuticos.
“O impacto foi imenso. O atendimento dos profissionais, o acolhimento, a forma como eles interagem não só com o Adalberto, mas também com a gente, fez toda a diferença. A gente está vendo a diferença dele a cada momento”, afirma Flávio.
Para ele, o serviço vai além das terapias. “Ali é uma escola para nós, pais. Cada encontro é um aprendizado diferente”, diz emocionado.
Treze anos esperando uma apresentação

Adalberto iniciou a vida sem falar. Ao longo dos anos, começou a desenvolver pequenas formas de comunicação: apontar, dar tchau, jogar beijo e tentar articular sons. A evolução, segundo a família, tem sido gradual e cheia de significado.
Mas houve um momento que fez a mãe chorar de emoção: uma apresentação no próprio Juventude TEA.
“Eu esperei 13 anos para ver meu filho participar de uma apresentação. Na escola ele não fazia. Quando vi o Adalberto dançando na quadrilha, mesmo que fossem poucos passos, eu vi independência, autonomia, socialização. Vi meu filho acompanhando as outras crianças”, diz emocionada.
A trajetória da família também teve períodos difíceis. A adaptação à escola regular trouxe crises, choro, gritos e episódios de autoagressão provocados pela sobrecarga sensorial. A família enfrentou ansiedade e momentos de exaustão, mas decidiu não desistir.
Flávio acompanha cada avanço com o coração de quem aprendeu a celebrar o que muitos não percebem.
“Tem as crises, tem os desafios, mas a gente procura estudar mais, entender mais e manter a calma. O Adalberto é uma criança maravilhosa que nos dá força”, afirma.
Estrutura
A estrutura do Juventude TEA foi planejada para atender às necessidades específicas do público adolescente com autismo. Entre os espaços disponíveis estão salas terapêuticas, sala de regulação sensorial, arena esportiva, parque molhado terapêutico, sala de tecnologia, além da Casa Funcional, ambiente dimensionado para o desenvolvimento das habilidades da vida diária.
A unidade também conta com o LAB TEA, espaço tecnológico que utiliza recursos de realidade virtual para simular situações do cotidiano, como compras em supermercado e utilização de transporte público, auxiliando os adolescentes no fortalecimento da autonomia e da socialização.
O Juventude TEA, inaugurado no dia 10 de abril de 2026, nasceu como ampliação da política pública dedicada ao autismo no Amazonas, que já conta com três Caics TEA para o atendimento infantil, entregues a partir de 2025.
Para o secretário de Estado de Saúde, Luis Alberto Saraiva, histórias como a de Flávio e Adalberto mostram a importância de fortalecer a rede de cuidado às crianças e adolescentes com TEA, e de apoiar também as famílias.
“O Juventude TEA representa acolhimento, cuidado especializado e esperança para muitas famílias amazonenses. Cada avanço dessas crianças é uma conquista compartilhada entre os profissionais de saúde, os pais e toda a rede de apoio. Neste Dia dos Pais, a história de Flávio e Adalberto nos lembra que o amor e a presença da família fazem parte do tratamento e transformam vidas”, afirmou o secretário.
Neste Dia dos Pais, a história dos dois revela que o amor paterno não se mede pela ausência de dificuldades, mas pela decisão de permanecer: nas terapias, nas consultas, nas crises e, principalmente, nas pequenas vitórias que tornam a caminhada cheia de significado.